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Depressão: sintomas, causas e tratamento

No meu consultório, vejo a depressão se apresentar de duas formas bem diferentes. Uma é fácil de identificar: o paciente, a família e os amigos percebem a tristeza, o humor deprimido na maior parte do tempo. A outra é mais desafiadora, porque não vem necessariamente com choro constante: a vida vai ficando cinza, sem graça, sem sal. A pessoa perde a motivação e o prazer em atividades que antes considerava interessantes, e muitas vezes nem ela mesma percebe que aquilo é depressão. Nos dois casos, o quadro tem tratamento, e a maioria das pessoas recupera a vida que tinha antes.

Nesta página, você vai entender o que caracteriza a depressão, quais sintomas costumam aparecer, o que pode causar o quadro, como ele se diferencia de tristeza, e como funciona o tratamento, inclusive por teleconsulta.

O que é a depressão?

A depressão é um transtorno do humor que vai além da tristeza passageira. No meu consultório, o que mais vejo é o paciente chegar achando que está apenas cansado ou desmotivado, sem perceber que aquela falta de prazer e aquela lentidão na vida já duram tempo demais para serem só uma fase. A depressão afeta pensamentos, emoções, corpo e comportamento ao mesmo tempo.

O que mais me chama atenção na avaliação, presencial ou por teleconsulta, é que muitos pacientes chegam sem reconhecer o próprio quadro. Eles falam que estão “sem energia”, “sem vontade de nada”, que “as coisas perderam o sentido”, sem associar isso a depressão. Por isso a avaliação clínica, e não um checklist de sintomas, é essencial para o diagnóstico correto.

É importante saber que depressão não é fraqueza, preguiça nem falta de fé. É um quadro clínico com base neurobiológica, que responde a tratamento.

Quais são os sintomas que mais vejo no consultório?

Na teleconsulta, costumo perguntar como a pessoa está se sentindo, mas também como está funcionando: no trabalho, em casa, nos relacionamentos. Os sintomas da depressão afetam quatro áreas ao mesmo tempo:

  • Emocionais: humor deprimido, perda de interesse ou prazer, irritabilidade, sensação de vazio, sentimentos de culpa ou inutilidade, pensamentos de morte.
  • Físicos: cansaço persistente, alterações no sono (insônia ou sono em excesso), mudanças no apetite e no peso, dores sem causa física aparente.
  • Cognitivos: dificuldade de concentração, lentidão para processar informações, falhas de memória, indecisão.
  • Comportamentais: afastamento progressivo de atividades sociais, profissionais ou de lazer que antes faziam parte da rotina.

Por isso a depressão é um quadro amplo, que envolve corpo, pensamento e comportamento, e não um sintoma isolado. Esse conjunto todo é o que avalio na consulta, presencial ou por videochamada.

O que causa a depressão?

Na minha experiência, a depressão é sempre multifatorial. Não existe uma causa única, e sim uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais que varia de pessoa para pessoa.

Entre os fatores que costumo investigar na teleconsulta estão a predisposição genética e o histórico familiar de transtornos do humor, o temperamento da pessoa, as experiências de vida, os estressores atuais (como perdas, conflitos ou sobrecarga), e a presença de outras condições associadas, como TDAH e transtornos de ansiedade, que frequentemente coexistem com a depressão. Causas orgânicas, como hipotireoidismo e deficiências vitamínicas, também podem cursar com sintomas depressivos, e parte da minha avaliação é descartar essas causas.

É comum ouvir que a depressão é causada por “falta de serotonina”, mas essa explicação é uma simplificação. Outros sistemas do cérebro, como os que envolvem noradrenalina, dopamina, glutamato e GABA, também participam de redes complexas relacionadas ao humor. O quadro envolve essas redes como um todo, não apenas um neurotransmissor isolado.

Depressão é o mesmo que tristeza ou ansiedade?

A tristeza é uma emoção normal, geralmente ligada a um evento específico, e tende a diminuir com o tempo. A depressão se diferencia pela intensidade, pela duração e pelo impacto que causa, persistindo mesmo quando não há um motivo claro.

Já a ansiedade costuma envolver preocupação excessiva, antecipação de ameaças e um estado de alerta constante, enquanto a depressão se caracteriza por humor deprimido, perda de interesse e redução de energia. É comum que as duas condições ocorram juntas, e diferenciá-las exige avaliação profissional. Costumo encontrar esse quadro misto com frequência nas consultas online, porque a pessoa chega achando que tem “só ansiedade” e na avaliação percebemos uma depressão associada.

Quais são os tipos de depressão?

O quadro depressivo pode variar em intensidade, duração e contexto. Na avaliação por teleconsulta, identificar o tipo correto é essencial para definir o tratamento mais adequado. Os tipos que vejo com mais frequência são:

  • Episódio depressivo maior: humor deprimido ou perda de interesse por pelo menos duas semanas, com impacto significativo na rotina.
  • Distimia (ou transtorno depressivo persistente): sintomas mais leves, mas que duram dois anos ou mais. A pessoa aprende a “funcionar” assim e muitas vezes acha que é o jeito dela de ser.
  • Depressão pós-parto: aparece após o parto e vai além do “baby blues” normal, exigindo avaliação e tratamento.

Existe ainda a chamada “depressão silenciosa”, que não é um diagnóstico formal, mas descreve bem o que vejo em muitos pacientes: a pessoa mantém uma rotina aparentemente normal, trabalha, cuida dos filhos, responde mensagens, enquanto por dentro está carregando um sofrimento que ninguém percebe. Por ser discreta, costuma demorar muito a ser identificada, e é justamente o tipo de apresentação em que a consulta online faz mais diferença, porque o paciente muitas vezes não teria como ir a um consultório presencial sem “revelar” que está mal.

Como funciona o tratamento da depressão?

Na minha abordagem, o tratamento da depressão é sempre individualizado. Não existe uma prescrição padrão. O que funciona para um paciente pode não funcionar para outro, e por isso a avaliação precisa ser ampla, levando em conta o tipo de depressão, a intensidade dos sintomas, o contexto de vida e as expectativas da pessoa, seja o atendimento presencial ou por videochamada.

A psicoterapia tem um papel fundamental, e também pode ser feita à distância. Na minha experiência, a melhora do paciente que associa o acompanhamento psicoterápico ao tratamento médico costuma ser mais intensa e duradoura. Quando a medicação é indicada, faço a escolha e o ajuste de dose de forma individual, com receita digital de validade legal em todo o Brasil. O objetivo do tratamento vai além de aliviar os sintomas: busca-se a remissão, que é quando a pessoa volta a funcionar bem e a ter qualidade de vida de forma consistente.

Hábitos de vida também fazem diferença: rotina regular de sono, atividade física, redução do uso de álcool e substâncias, e momentos de lazer são parte do plano de tratamento. Oriento esses pontos nas consultas online da mesma forma que faria presencialmente.

Quando procurar ajuda?

Alguns sinais indicam que vale buscar avaliação por teleconsulta sem esperar mais tempo: sintomas que persistem por semanas, perda de interesse em atividades que antes davam prazer, cansaço constante que não melhora com descanso, dificuldade de concentração que está prejudicando o trabalho ou os estudos, isolamento progressivo, alterações importantes no sono ou no apetite, ou pensamentos de que não vale a pena continuar.

Se você está passando por um momento de sofrimento emocional intenso ou com pensamentos de se ferir, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, pelo telefone 188 e por chat, 24 horas por dia. Buscar essa escuta também é uma forma de cuidado. Não é preciso esperar a situação piorar para pedir ajuda ou agendar uma consulta online.

A avaliação psiquiátrica pode ser feita por videochamada, com a mesma validade e o mesmo sigilo da consulta presencial: veja como funciona a consulta psiquiátrica online.

Perguntas frequentes

Depressão tem cura?

A depressão tem tratamento eficaz. Na minha experiência, a maioria dos pacientes apresenta melhora significativa e recupera a qualidade de vida com o acompanhamento adequado, combinando psicoterapia e, quando indicado, medicação. Em muitos casos é possível alcançar a remissão completa dos sintomas, com acompanhamento presencial ou por teleconsulta.

Qual a diferença entre depressão e tristeza?

A tristeza é uma emoção normal, ligada a um evento específico, e tende a passar com o tempo. A depressão persiste na maior parte do dia, quase todos os dias, e compromete o trabalho, os estudos e os relacionamentos. Quando a “tristeza” dura semanas e começa a afetar a funcionalidade, vale buscar avaliação, inclusive por consulta online.

O que é depressão silenciosa?

É um termo popular, não um diagnóstico formal. Descreve a pessoa que mantém uma rotina aparentemente normal enquanto vivencia os sintomas internamente. Por ser discreta, costuma demorar a ser percebida, inclusive pela própria pessoa. É justamente o tipo de apresentação em que a consulta psiquiátrica online faz mais diferença: o paciente consegue ser avaliado com sigilo, sem precisar “aparecer” mal para quem está à sua volta.

A consulta online funciona para tratar depressão?

Sim. A consulta psiquiátrica por videochamada tem a mesma validade clínica e o mesmo sigilo da consulta presencial, com avaliação completa, receita digital e acompanhamento contínuo, para pacientes em qualquer cidade do Brasil.
Dr. Rômulo Kunrath, psiquiatra: tratamento do transtorno bipolar online

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Psiquiatra | CRM-PB 14932 | RQE 9681. Consulta online particular por videochamada: R$ 700. Não atendemos planos de saúde ou convênios.

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e o tratamento da depressão devem ser feitos por um profissional qualificado, considerando o histórico individual de cada pessoa.

Revisão técnica: Dr. Rômulo Kunrath | Psiquiatra | CRM-PB 14932 | RQE 9681