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Transtorno bipolar: sintomas e tratamento

O transtorno bipolar é uma condição psiquiátrica em que a pessoa apresenta episódios de mania (períodos de humor persistentemente elevado ou irritável, com energia aumentada, que duram vários dias e mudam de forma clara o jeito habitual de ser), em geral alternados com episódios de depressão. Antigamente chamado de psicose maníaco-depressiva, o quadro é descrito pela medicina há muitas décadas e é uma das principais condições tratadas pela psiquiatria.

Oscilar o humor faz parte da natureza humana. Em algumas pessoas, porém, essas oscilações acontecem de forma tão intensa e duradoura que deixam de ser uma reação normal ao que está acontecendo ao redor, e passam a comprometer o trabalho, os relacionamentos, as finanças e a saúde. Entender essa diferença é o primeiro passo para buscar o diagnóstico e o tratamento corretos.

O que é um episódio de mania?

O polo depressivo do transtorno bipolar é fácil de entender: tristeza profunda, desânimo, perda de interesse. Mas o que define o transtorno bipolar é o episódio de mania.

A mania não é uma oscilação brusca de humor de uma hora para outra. É um estado que persiste por vários dias, em que o humor fica elevado ou irritável de forma quase contínua, geralmente acompanhado de:

  • Redução da necessidade de sono: dormir muito pouco e acordar com energia de sobra
  • Ideias grandiosas e autoconfiança muito acima do habitual
  • Aumento marcante de energia e de atividade
  • Fala acelerada e pensamento rápido, pulando de um assunto para outro
  • Impulsividade e ousadia incomum em decisões financeiras, de trabalho ou nos relacionamentos

Em alguns casos, o pensamento fica tão acelerado que a pessoa começa a confundir o que é pensamento e o que é realidade, e surgem os sintomas psicóticos. Nesses momentos, a avaliação médica deve ser imediata.

Por que o diagnóstico costuma demorar?

Embora a mania seja o que define o transtorno bipolar, a maioria das pessoas com transtorno bipolar passa a maior parte do tempo no polo depressivo. É na depressão que se costuma buscar ajuda, e é por isso que muitos casos são tratados durante anos como depressão “comum” (unipolar) antes de o diagnóstico correto ser feito.

Essa distinção importa muito na prática: os tratamentos habituais da depressão unipolar costumam ser menos eficazes na depressão bipolar e, em algumas pessoas, podem até desencadear a chamada “virada maníaca” ou sintomas mistos, em que características dos dois polos aparecem ao mesmo tempo. Identificar corretamente o quadro muda toda a condução do tratamento.

Como o diagnóstico é feito?

O diagnóstico é clínico, feito em consulta, por meio de uma história de vida detalhada. O psiquiatra investiga quando os primeiros sintomas de humor apareceram e se já houve períodos marcantes de euforia: momentos de autoconfiança excessiva e ousadia incomum em decisões de trabalho, financeiras ou nos relacionamentos.

O padrão de sono também é um dos pontos centrais da avaliação: acordar às 3h da manhã cheio de energia para limpar a casa e não sentir nenhum cansaço no dia seguinte, por exemplo, é um dado muito diferente de uma simples insônia.

Outro pilar é o histórico familiar, já que o transtorno bipolar tem um componente genético importante. Muitas vezes os parentes nunca foram diagnosticados, mas certos padrões acendem alertas: “era muito gastador”, “ficou rico e empobreceu várias vezes”, “vivia mudando de cidade”, “passou dois anos sumido”, “era muito irritado”. Histórico de suicídio na família é outro fator de risco relevante e sempre investigado.

O que acontece se o transtorno bipolar não for tratado?

Sem tratamento, o transtorno bipolar tende a apresentar neuroprogressão: quando a pessoa passa a vida tendo episódios de forma intermitente, cada novo episódio se associa a piora cognitiva e funcional, e a intervalos cada vez menores entre as crises.

O tratamento adequado tem um caráter neuroprotetor: além de reduzir a frequência e a intensidade dos episódios, protege o funcionamento do cérebro ao longo dos anos e melhora qualidade de vida, sobrevida e funcionalidade.

Como é o tratamento do transtorno bipolar?

O tratamento é individualizado e definido em consulta, considerando a fase atual do quadro, o histórico de episódios e as condições associadas. De forma geral, envolve acompanhamento psiquiátrico contínuo para estabilizar o humor e prevenir novos episódios, psicoterapia, regularidade do sono e da rotina, e psicoeducação: entender o próprio quadro (e envolver a família nesse processo) reduz recaídas.

O objetivo da psiquiatria é que a pessoa seja funcional: que consiga atingir seus objetivos com qualidade de vida. O tratamento funciona como uma ferramenta para manter os laços familiares, sociais, de amizade, de trabalho e a vida financeira, não como um fim em si mesmo.

Quando procurar ajuda?

Vale procurar avaliação psiquiátrica se você (ou alguém próximo) apresenta oscilações de humor intensas que destoam do contexto, períodos de energia e euforia com decisões arriscadas, depressões que voltam repetidamente ou que não melhoram com o tratamento habitual, principalmente se há histórico familiar de transtorno bipolar. Em caso de pensamentos de morte ou suicídio, a busca por ajuda deve ser imediata.

A avaliação pode ser feita por videochamada: veja como funciona a consulta psiquiátrica online com o Dr. Rômulo Kunrath.

Perguntas frequentes

Transtorno bipolar tem cura?

É uma condição crônica, mas isso não significa ausência de uma vida boa. Com acompanhamento adequado, muitas pessoas alcançam estabilidade duradoura do humor e mantêm trabalho, estudos e relacionamentos. O objetivo do tratamento é justamente a estabilidade e a funcionalidade a longo prazo.

Qual a diferença entre mania e hipomania?

Ambas envolvem humor elevado ou irritável e aumento de energia. Na hipomania, os sintomas são mais leves e mais curtos, sem sintomas psicóticos. Na mania, o quadro é mais intenso e prolongado, causa prejuízo importante e pode incluir sintomas psicóticos. É o episódio de mania que caracteriza o transtorno bipolar.

O transtorno bipolar é hereditário?

Há um componente genético importante: ter familiares com o transtorno aumenta o risco. Mas genética não é destino: nem todas as pessoas com histórico familiar desenvolvem o quadro. Por isso o histórico familiar é investigado com atenção durante a avaliação.

O diagnóstico pode ser feito em consulta online?

Sim. O diagnóstico é clínico, feito por meio de uma conversa detalhada sobre a história de vida, o padrão de sono e o histórico familiar, e pode ser realizado por videochamada. A telemedicina é regulamentada pelo CFM, e a consulta online segue as mesmas exigências éticas da presencial.

Dr. Rômulo Kunrath, psiquiatra: tratamento do transtorno bipolar online

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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e o tratamento do transtorno bipolar devem ser feitos por um profissional qualificado, considerando o histórico individual de cada pessoa.

Revisão técnica: Dr. Rômulo Kunrath | Psiquiatra | CRM-PB 14932 | RQE 9681