sintomas de TDAH — consulta psiquiátrica online

Sintomas de TDAH: 18 Sinais e os 3 Tipos do Transtorno

O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é um transtorno do neurodesenvolvimento que começa na infância e, na maior parte dos casos, continua presente na vida adulta. Nos últimos anos, o tema ganhou muito espaço nas redes sociais — o que ajudou a dar visibilidade ao assunto, mas também espalhou bastante informação simplificada sobre os sintomas de TDAH. Neste artigo, com base no DSM-5 (principal manual de diagnóstico utilizado pela psiquiatria), explico como costuma se apresentar uma pessoa com TDAH, quais são os 18 sintomas descritos no manual, os 3 tipos de TDAH reconhecidos e como é feito o diagnóstico.

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Como é uma pessoa com TDAH?

Uma pessoa com TDAH apresenta um padrão persistente de dificuldade em manter a atenção, regular o nível de atividade e controlar impulsos. Esse padrão está presente desde a infância e aparece em diferentes áreas da vida — trabalho, estudos, relacionamentos e organização da rotina.

No dia a dia, isso pode aparecer como começar várias tarefas e ter dificuldade para terminá-las, perder objetos com frequência (chaves, documentos, celular), esquecer compromissos e prazos, e ter a sensação de que o tempo passa rápido demais sem perceber.

Em crianças, a parte da hiperatividade costuma ser mais visível: correr, subir em móveis, dificuldade de ficar sentado por muito tempo. Em adultos, esse mesmo traço geralmente se transforma em uma inquietação interna — dificuldade de relaxar, sensação de estar sempre “ligado”, ou necessidade de trocar de atividade com frequência.

Já a impulsividade pode aparecer como interromper conversas, responder antes de a outra pessoa terminar de falar, ou tomar decisões importantes de forma rápida demais, sem avaliar todas as consequências.

Vale destacar: ter um ou outro desses comportamentos de vez em quando faz parte da experiência humana e não significa, isoladamente, ter TDAH. O que diferencia o transtorno é a persistência desse padrão ao longo do tempo, em diferentes contextos, causando prejuízo real — e essa avaliação só pode ser feita em consulta com um profissional.

Quais são os 18 sintomas de TDAH segundo o DSM-5?

O DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição) descreve 18 sintomas de TDAH, organizados em dois grupos de 9: desatenção e hiperatividade/impulsividade. Para considerar o diagnóstico, não é necessário apresentar os 18 — mas sim um número mínimo de sintomas dentro de pelo menos um desses grupos, de forma persistente por pelo menos seis meses.

Sintomas de desatenção:

  1. Cometer erros por falta de atenção a detalhes ou ter dificuldade de prestar atenção em informações importantes no trabalho ou em outras atividades
  2. Ter dificuldade de manter o foco em tarefas, leituras ou conversas mais longas
  3. Parecer “no mundo da lua” quando alguém fala diretamente, mesmo sem nenhuma distração aparente
  4. Começar tarefas, instruções ou trabalhos e não conseguir terminá-los
  5. Ter dificuldade para organizar atividades, prazos e compromissos
  6. Evitar ou adiar tarefas que exigem esforço mental prolongado, como preencher formulários ou revisar documentos extensos
  7. Perder com frequência objetos necessários para o dia a dia, como chaves, óculos, documentos ou celular
  8. Distrair-se facilmente com estímulos do ambiente ou com os próprios pensamentos
  9. Esquecer compromissos, recados, contas a pagar ou itens combinados com outras pessoas

Sintomas de hiperatividade e impulsividade:

  1. Mexer as mãos ou os pés, ou se contorcer na cadeira com frequência
  2. Levantar-se em situações em que se espera permanecer sentado
  3. Sentir uma inquietação interna constante (em adultos, sem necessariamente correr ou subir em móveis, como ocorre em crianças)
  4. Ter dificuldade para realizar atividades de lazer com calma e em silêncio
  5. Estar quase sempre “a mil”, como se estivesse “ligado por um motor”
  6. Falar mais do que o esperado em determinadas situações
  7. Responder a uma pergunta antes que ela termine de ser feita
  8. Ter dificuldade de esperar a própria vez, em filas, conversas ou no trânsito
  9. Interromper ou se intrometer em conversas, jogos ou atividades de outras pessoas

Como identificar se a pessoa tem TDAH?

Para que o diagnóstico de TDAH seja considerado, o DSM-5 exige a presença de pelo menos 5 sintomas (em adolescentes a partir de 17 anos e adultos) ou 6 sintomas (em crianças) dentro de um dos grupos — desatenção ou hiperatividade/impulsividade — ou nos dois.

Além do número de sintomas, alguns critérios são fundamentais: os sintomas precisam estar presentes desde antes dos 12 anos de idade, aparecer em pelo menos dois ambientes diferentes (por exemplo, casa e trabalho, ou casa e escola), e causar um prejuízo real e significativo no funcionamento da pessoa.

É importante reforçar: reconhecer alguns desses sintomas em si mesmo não é o mesmo que ter um diagnóstico. Listas e questionários podem ajudar a organizar as observações, mas o diagnóstico de TDAH é clínico, feito por um médico, e exige avaliar também se os sintomas não são melhor explicados por outras condições.

Quais são os 3 tipos de TDAH?

O DSM-5 reconhece 3 tipos (chamados de apresentações) de TDAH, definidos de acordo com quais sintomas predominam no momento da avaliação:

  • Apresentação predominantemente desatenta — quando os sintomas de desatenção são mais marcantes que os de hiperatividade/impulsividade.
  • Apresentação predominantemente hiperativa-impulsiva — quando os sintomas de hiperatividade e impulsividade predominam, com poucos sintomas de desatenção.
  • Apresentação combinada — quando há um número significativo de sintomas dos dois grupos.

Essas apresentações podem mudar ao longo da vida da mesma pessoa. Além disso, a apresentação predominantemente desatenta tende a ser menos percebida — especialmente em meninas e mulheres, que muitas vezes não apresentam a agitação visível associada ao TDAH e acabam sendo descritas como “desligadas” ou “desorganizadas”. Por isso, esse perfil costuma ser subdiagnosticado e, em muitos casos, só é identificado na vida adulta.

Existe “TDAH grau 3”? O que isso significa?

O termo “TDAH grau 3” não é uma classificação oficial do DSM-5. É provável que essa expressão venha de uma mistura de dois conceitos diferentes do manual: as 3 apresentações (desatenta, hiperativa-impulsiva e combinada) e os níveis de gravidade.

O DSM-5 classifica a gravidade do TDAH em leve, moderada ou grave — de acordo com o número de sintomas além do mínimo necessário para o diagnóstico e o quanto esses sintomas prejudicam a vida da pessoa. Uma apresentação “grave” envolve muitos sintomas presentes, com impacto importante em diferentes áreas da vida.

Esses dois conceitos — apresentação e gravidade — são avaliados juntos pelo médico, mas não existe uma escala numerada de “graus” no diagnóstico de TDAH.

Qual é o tratamento para o TDAH?

O tratamento do TDAH costuma combinar acompanhamento médico, psicoterapia e estratégias práticas de organização da rotina — sempre definidos de forma individual, de acordo com a idade, os sintomas predominantes e a presença de outras condições associadas.

Quando indicado, o tratamento medicamentoso deve ser sempre prescrito, ajustado e acompanhado por um médico, considerando histórico de saúde, outras condições e possíveis efeitos colaterais. Não existe uma medicação “padrão” para todas as pessoas — a escolha e o ajuste fazem parte de uma avaliação individual.

Além do acompanhamento médico, fazem parte do tratamento: psicoterapia (com técnicas voltadas para organização, planejamento e regulação emocional), psicoeducação sobre o próprio funcionamento, estratégias práticas como uso de agendas e lembretes, cuidado com o sono e prática regular de atividade física — fatores que ajudam a reduzir o impacto dos sintomas no dia a dia.

Se você se identificou com os sintomas descritos neste artigo e quer entender melhor o que pode estar acontecendo, o primeiro passo é conversar com um psiquiatra. Você pode agendar uma consulta psiquiátrica online para uma avaliação individualizada.

Quem tem TDAH pode usar fluoxetina?

A fluoxetina é um antidepressivo (da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina) e não é considerada uma medicação de primeira escolha para tratar o TDAH em si — ela atua em sintomas como ansiedade e depressão, não diretamente nos sintomas centrais de desatenção, hiperatividade e impulsividade.

Como o TDAH frequentemente ocorre junto com outras condições, como ansiedade ou depressão, é possível que um médico prescreva fluoxetina nesses casos — não para tratar o TDAH diretamente, mas para tratar a condição associada. Essa decisão depende sempre de uma avaliação individual.

Para quem quer se aprofundar no tema com uma fonte de referência, a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA) reúne materiais informativos sobre TDAH em crianças e adultos.

Perguntas Frequentes

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, e não substitui uma consulta médica. O diagnóstico e o tratamento do TDAH devem ser feitos por um profissional qualificado, considerando o histórico individual de cada pessoa.

Revisão técnica: Dr. Rômulo Kunrath — Psiquiatra | CRM-PB 14932 | RQE 9681

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